Professora transforma incentivo à leitura em projeto premiado e inspira estudantes 02/07/2026 - 15:39
Uma prática pedagógica criada para despertar o interesse dos estudantes pela leitura e pela escrita levou a professora Larissa Zenckner Cardinal, do Colégio Estadual Padre Cirilo, em Capanema, no Núcleo Regional de Educação (NRE) de Francisco Beltrão, a conquistar dupla premiação: a primeira foi a Menção Honrosa, na Ação Premiada do programa Ler e Pensar, projeto promovido em parceria com instituições de educação e comunicação que incentiva o uso da leitura, da produção textual e da educação midiática como ferramentas de aprendizagem.
O projeto chamado ‘Livros Gigantes’, também rendeu à docente o Prêmio de Excelência em Educação Dallo, desenvolvido pela iniciativa privada em parceria com diversas secretarias municipais e criado com objetivo de reconhecer e valorizar projetos pedagógicos inovadores criados por professores da rede pública.
Professora há 20 anos, Larissa leciona Língua Portuguesa, Redação e Leitura para turmas do Ensino Fundamental, Ensino Médio e do curso técnico em Administração. Para ela, a premiação representa muito mais do que uma conquista pessoal: é o reconhecimento de uma prática construída dentro da escola pública e um incentivo para continuar inovando em sala de aula.
"Receber estas premiações foi um marco muito importante na minha trajetória. O reconhecimento mostra que estamos no caminho certo e me motiva a continuar investindo em práticas que colocam o estudante no centro da aprendizagem", afirma Larissa.
LIVROS GIGANTES - O projeto Livros Gigantes, surgiu da inquietação da professora diante de um desafio comum em sala de aula: despertar o interesse de adolescentes pela leitura, especialmente pelo gênero conto, frequentemente associado ao público infantil.
A proposta foi transformar a produção textual em uma experiência coletiva e criativa. Em equipes, os estudantes escrevem os contos, produzem as ilustrações, diagramam o material e confeccionam livros em formato gigante, com páginas do tamanho de uma cartolina dobrada ao meio. Depois, ambientam uma sala da escola e recebem crianças da rede pública para contar as histórias, exercitando também a oralidade, a entonação e a expressão corporal.
Como os participantes também são alunos do curso técnico em Administração, o projeto incorpora competências como planejamento, organização e divisão de tarefas. Antes da apresentação para as crianças, eles ensaiam as histórias diante dos próprios colegas e participam de um "Café com Letras", momento em que compartilham as produções e refletem sobre a importância da leitura e da escrita.
"O conto por si só talvez não despertasse tanto interesse. Mas, quando eles perceberam que iriam criar toda a história, ilustrar, produzir um livro gigante, preparar a decoração da sala e apresentar para outras crianças, tudo ganhou outro significado. Eles deixaram de ser apenas leitores e passaram a ser incentivadores da leitura", conta Larissa.
Segundo a professora, a iniciativa também produziu resultados que vão além da aprendizagem da língua portuguesa. Ela lembra, por exemplo, de duas estudantes que tinham dificuldade para ler em voz alta e ganharam confiança ao longo das apresentações. "Foi muito além de produzir um conto no caderno", recorda.
Entre as histórias criadas pelos alunos, uma das que mais marcou o projeto foi A Febre da Boneca, escrita por estudantes do 3º ano do Ensino Médio. O enredo conduz o público por uma narrativa de suspense em que uma boneca aparece misteriosamente em diferentes cômodos da casa, até revelar, no desfecho, que tudo não passava de uma ação da funcionária da família. Para tornar a experiência ainda mais envolvente, uma das alunas interpretou a boneca durante a apresentação, transformando a contação de histórias em uma verdadeira encenação.
Em voga há três anos, desde a sua idealização, o projeto já envolveu mais de 200 estudantes e alcançou cerca de 600 crianças da rede pública.
RECONHECIMENTO - Ao longo dessa trajetória, Larissa também incorporou ao planejamento pedagógico os materiais disponibilizados pelo programa Ler e Pensar, utilizando sequências didáticas, textos jornalísticos e propostas de reflexão para desenvolver atividades contextualizadas e conectadas à realidade dos estudantes.
A técnica pedagógica do programa Leia e Redação Paraná no Núcleo Regional de Educação de Francisco Beltrão, Ana Graziela Schmitz, acompanhou o desenvolvimento do projeto e destaca que a conquista é resultado de um trabalho consistente.
"A Larissa sempre demonstrou grande compromisso com a aprendizagem dos estudantes. Ela soube transformar os recursos do programa em experiências significativas, utilizando cada atividade com planejamento e intencionalidade pedagógica. Essa conquista mostra que, quando o professor acredita no potencial dos alunos e investe em práticas inovadoras, os resultados aparecem dentro e fora da sala de aula", afirma.
Para Larissa, o reconhecimento também reforça a importância de valorizar o trabalho dos professores e incentiva outros educadores a desenvolverem iniciativas criativas.
"Essas conquistas impulsionam ainda mais a vontade de fazer a diferença e despertar nos estudantes o interesse pela leitura. Nossa profissão vive um momento difícil em termos de reconhecimento. Estar em uma cerimônia, ser aplaudida de pé por ser professora e por ter desenvolvido um projeto que chamou a atenção foi muito emocionante. Depois de 20 anos de profissão, perceber esse reconhecimento mostra que vale a pena continuar buscando caminhos diferentes para ensinar", reforça.
LER E PENSAR - Desenvolvido em parceria entre o Instituto GRPCOM, a Gazeta do Povo e a Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), o programa Ler e Pensar incentiva a leitura, a produção textual e a educação midiática nas escolas da rede estadual. A iniciativa oferece materiais pedagógicos e sequências didáticas que apoiam o trabalho dos professores e fortalecem competências como interpretação de texto, argumentação, pensamento crítico e protagonismo estudantil.






